sábado, 26 de dezembro de 2009
As primeiras experiências- parte 2
O Cineclube era uma coisa pequena e meio marrom, mas no cenário provinciano de Brasilia nos anos 80 era tudo.Tinha um coordenador, Wanderley, que fazia videos em VHS com mais estrutura que entrei, ainda no ano de 1986, para aprender a operar câmera, editar, dirigir... Era um adolescente timido que via trancado no quarto ouvindo música e criando tramas e minha primeira experiência no mundo dos adultos foi meio choque, mas foi bom. Minha mãe quis me proibir de frequentar, mas fui mesmo assim. Meus pais nunca gostaram da idéia de ter filho cineasta. Mesmo hoje depois de uma carreira até com alguns prêmios a coisa não é muito bem vista cada vez que peço dinheiro emprestado. Voltando: Comprei no mesmo ano vários livros sobre cinema. Basicamente roteiro e história do cinema. Minha primeira experiência efetiva no cinema foi como roteirista. Escrevi a mão pequenso curtas fantásticos jamais filmados. Antes de ler a caverna fiz um sobre uma comunidade que via nos subterrâneos e nunca tinha visto a luz e consegue atingir a superfice. Depois escrevi um sobre dois caras que se perseguem numa escada de um prédio durante anos. Vivem das sobras e ajudas dos moradores. Escrevi também um roteiro de média que pra mim seria minha estréia como diretor. Era sobre um preso, jovem de classe média, que conseguia um indulto de Ano Novo e antes de chegar na casa, resolvia visitar a escola que estudou na adolescência. Lá, por descuido, ficava preso no banheiro. Sem comunicação com o mundo exterior, passava o ano novo láe várias situações fantásticas aconteciam, como por exemplo, falar com sua própria merda e flashs backs aconteciam dentro do lugar numa estrutura muito teatral. Infelizmente, não consegui apoio na época. Ainda pretendo filmar um dia esse roteiro, ou pelo menos preservar o título. Chamava-se: NOVOS ANOS PARA OUTROS DIAS. Ainda em 86, descobri que o colégio que estudava tinha uma central de video com uma ilha de edição, algo mais raro ainda que a câmera. Tentei fazer um documentários sobre músicos, mas também não consegui espaço suficiente na ilha do colégio, nem a câmera emprestada pra fazer o doc. Meu primeiro ano de cineasta, foi um ano que até filmei muito, mas não consegui editar nada. No últimodia do ano, sozinho, sem namorada, melancólico, escrevi um roteiro que se tratava de um video poema que se chamava "A Única Coisa que Vejo Transparente". Uma especie de lamentação de menino pra uma colega que era apaixonadono segundo ano. Passei 87 inteiro tentando realizar e nada. Desde então,prometi a mim mesmo que jamais escreveria roteiro no último e no primeiro dia do ano.
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