sábado, 26 de dezembro de 2009

As primeiras experiências

Minha primeira vontade era, aos nove anos, ser escritor. Chequei a escrever alguns contos e até um romance. Peças de teatro, poemas... mas vi que era uma profissão muito marginal. E, além do mais, que não ia achar uma formação especifica. Ia ter que fazer jornalismo ou letras e viver de ser escritor até virar um sucesso de vendas. No Brasil... Então, decidi por volta dos meus quinze anos, após o rock in Rio, que ia ser músico. Como tantos em Brasilia tive minhas bandas. Todas vagabundas: Fator Vital. Forum Romano, Ato Referencial, Édipo e suas Mães, Hemengarda 8... Era péssimo músico. Queria ser vocalista e letrista, mas tinha vergonha. Tentei ser guitarrista como meus irmãos mais velhos, mas era um fiasco. Fui pro baixo. Cheguei a ter aulas com gente bacana de jazz, etc...mas aos 16 anos, depois de ir numa mostra de cinema fantástico no Cine Brasília, me encantei pela idéia de poder colocar meus sonhos, meus delirios de adolescente fechado no quarto dentro de uma sala escura pra muitos dividirem aquilo como uma comunhão. Decidi, sem pestanejar fazer cinema. A principio, tudo conspirava contra, mas ai nem tinha me tocado. A descoberta tardia pelo cinema me encantava. Comecei como cinefilo. Durante a mostra via um filme por dia. Solaris, Gaviões e Passarinhos, No Limite da Realidade... depois emendou como uma mostra de filmes cômicos. Novamente um filme por dia. Depois, toda segunda feira ia ver um filme no Cine Brasília de tarde. Domingo a noite na Cultura Inglesa. Graças ao fato de eu ter uma bolsa num colégio de elite, tive acesso a colegas que possuiam câmeras VHS, algo raro na época. Junto com eles fiz minhas primeiras experiências. Basicamente, filmes experimentais em que era ator que eram adaptações livres de textos que gostava. Varka de Tchecov, Ismália de Alfonsus Guimaraens e outras idéias em cima dos cineastas russos que conheci graças aos cursos que fazia no Cineclube Glauber Rocha.

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